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14.4.13

O caso Victor Deppman e a violência urbana


Victor Hugo Deppman, o jovem vítima da violência urbana, será mais um nas estatísticas dos latrocínios em São Paulo, enquanto seu assassino será julgado e execrado, é também mais um em uma lista interminável de adolescentes envolvidos com a criminalidade.
Este caso como milhares de outros requer uma análise mais aprofundada para que se possa entender as causas de nossos problemas sociais e a degradação das relações que afeta nossa sociedade. Uma boa inspiração vem desta composição de fotos e texto retirada de uma página no Facebook:



Como dizem uma imagem vale mais do que mil palavras, ou seria melhor dizer será que preciso desenhar para você entender??
Bem ai está um bom exemplo de imagem que permite ter uma ideia onde estão as raízes da situação social que vivemos na atualidade em nossas grandes cidades.
Não é possível responsabilizar os autores dos crimes pelos seus atos, já que de alguma maneira somos todos responsáveis pelo lugar e modo que vivemos.
Enquanto coletividade temos delegado nosso poder de decidir sobre o destino que desejamos nas mãos de “representantes”, mas como todo o trabalho realizado por outros nem sempre é tão bom quanto aquilo que esperamos. 

Da mesma maneira, de alguma forma, sabemos que um  bom gestor sabe que a excelência de resultados depende de planejamento, estabelecer metas, organizar tarefas e controlar o desempenho e resultados. E nós não estamos fazendo nenhum desses passos.


Há muitos anos se sabe que a violência estava em ascensão, em especial entre jovens dos 12 aos 19 anos, dado o maior número de mortes nessa faixa etária (http://www.unicef.org/brazil/pt/media_22244.htm), portanto Victor Deppman e seu assassino são fenômenos dentro do que é esperado que aconteça.
Mas isso não quer dizer que devamos nos conformar e desistir de alterar essa situação. Uma boa alternativa é o que está sendo feito com a campanha para o estabelecimento da idade penal aos 16 anos, embora acredite que deveria ser ainda menos, aos 12 anos como em alguns países.
Este movimento resolverá apenas parte do problema que é evitar que crianças e adolescentes sejam usados pela máfia do tráfico e outros marginais em seus crimes, já que gozam de certa impunidade.
Acredito que junto a nova normativa legal de mudança da maioridade penal, se aprovada, devam ser implementadas políticas públicas de melhoria na qualidade de vida nas comunidades mais pobres e nas escolas de modo geral, buscando realizar projetos integrativos de educação, cultura e esporte, não só para crianças e adolescentes mas também suas famílias.
A família desempenha papel fundamental na mudança de comportamento dos jovens, sem o exemplo dos adultos mais próximos fica difícil a escola e outras instituições modificar comportamentos viciados.
Não é possível que pais ajam apoiando comportamentos inadequados, culpando os educadores pelo mau comportamento de seus filhos. Como digo, há duas facetas da educação a primeira e a educação social realizada pela família responsável por ensinar os comportamentos aceitos em dado grupo: cortesia, uso de talheres, como se portar à mesa, uso do toalete, vestir-se etc – e a educação formal realizada pela escola na qual o indivíduo irá a aprender a usar as ferramentas desenvolvidas pelo conhecimento humano construindo sua cidadania e a ser útil a si e a sua comunidade. Se cada instituição fizer o melhor que sabe em sua esfera teremos muito bons resultados.
Além disso é necessário haver campanhas governamentais visando construir uma cultura cidadã de respeito à diversidade, aos valores humanos, cidadania e cortesia. Um exemplo dos resultados de uma educação deste tipo tivemos quando do terremoto no Japão há dois anos atrás, o povo japonês ensinou ao mundo como cidadãos educados em valores tendem a se comportar, demonstrando calma, respeito, ordem e dignidade.
Mas para alcançarmos esses objetivos é necessário haver planejamento com: objetivos, metas, prazos e orçamentos definidos, controlados pela população para evitar desvios de interesses. Não é possível mais ficarmos só nas promessas, temos que ver os resultados acontecendo, aumento da qualidade de vida em comunidades carentes, mudança do perfil educacional social e formal de nossos jovens e consequente diminuição da criminalidade.
Para isso devemos tomar as rédeas e fazer com que as coisas saiam do plano ideal e se tornem realidade. Para melhor entendimento faço uso de uma outra imagem, também retirada de uma página do Facebook:






6.4.13

Em defesa do bom senso – resposta a Malafaia - FSP 05/04/12

Santiago Torrente Perez

Como democrata e dado ao debate de ideias, li a coluna de Silas Malafaia na Folha,  para ver o que tinha a dizer sobre o caso Feliciano e a CDHM, no primeiro momento fiquei surpreso com sua perspicácia política quanto ao suposto desvio de atenção do público pela mídia ao apresentar a polêmica de Marco Feliciano enquanto alguns mensaleiros do primeiro escalão se tornavam membros da CCJC, mas por outro lado fiquei desapontado com suas argumentações favoráveis ao atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, embora isso fosse o esperado já que é evangélico.

Malafaia se apresenta como psicólogo, portanto um homem de ciência e como tal se espera que além da argumentação bíblica também faça uma discussão fundamentada em fatos, estatísticas e conceitos comprovados pelo conhecimento humano metódico e atualizado ao seu tempo, mas o que li não foi nada disso, uma vez que ao final de seu texto procura levantar a hipótese de que o movimento contra Feliciano possa ser chamando de "evangelicofobia", já que os que discordam do discurso dos pastores, os defensores dos direitos humanos sejam eles: gays, negros, índios, abortadores, prostitutas entre outros chamam os pastores evangélicos e seus apoiadores de homofóbicos e racistas.

Não sei se é má fé ou ignorância mesmo, mas ai há dois pesos e duas medidas em primeiro lugar não se pode comparar uma condição natural da espécie humana como o impulso afetivo homossexual ou o nascimento em dada “raça” ou etnia, com o processo cognitivo que é a escolha de crenças e valores religiosos, que são formas de pensar que pautam o comportamento humano e são criados, desenvolvidos, ensinados e tornados vivos pelo grupo social a que se pertence, e, por infelicidade, a maioria das pessoas ignoram completamente o processo histórico e social das correntes míticas que vieram a conformar os livros sagrados, portanto estão submetidas a normas, regras, crenças e valores reproduzidas há milênios sem a devida reflexão e atualização, portanto não correspondem mais ao mundo contemporâneo.

Em segundo lugar por opção política vivemos num regime democrático de Estado de Direito, onde todos os direitos sociais devem ser respeitados, dentre eles o direito legítimo de um casal homossexual ter sua relação reconhecida pelo estado garantindo assim os mesmos direitos previstos aos casais heterossexuais. Um negro de possuir efetivamente os mesmos direitos e oportunidades que um homem branco nas mesmas condições.  Um índio ter o mesmo respeito aos seus ritos e estética como qualquer outra cultura.

Quanto ao aborto, embora tenha minhas restrições, acho plausível sua descriminalização, uma vez que querendo ou não continuarão a acontecer, é melhor que ocorram com a devida assistência médica do que da maneira como estão sendo feitos agora, causando milhares de mortes de mulheres ou sua infertilidade.

Sugiro a Malafaia e aos demais lideres evangélicos que pelas suas declarações e argumentações sem fundamentação coerente relacionadas  às realidades da diversidade cultural humana e situações sociais da atualidade, voltem aos bancos escolares, estudem mais antropologia, mitologia, história, filosofia e não só teologia, fazendo o exercício da confrontação de suas crenças, valores e ações à realidade contemporânea, quem sabe assim, entendam o que são direitos humanos e enfim parem de propagar sua ignorância à quem é ainda mais ignorante fazendo a estes incautos reproduzirem seu preconceito e falta de Amor, contrariando inclusive o que pregam.

Irônico isso, mas é o que acontece com quem não reflete acerca do que faz...