Victor Hugo Deppman, o jovem vítima da violência urbana, será mais um
nas estatísticas dos latrocínios em São Paulo, enquanto seu assassino será
julgado e execrado, é também mais um em uma lista interminável de
adolescentes envolvidos com a criminalidade.
Este caso como milhares de outros requer uma análise mais aprofundada
para que se possa entender as causas de nossos problemas sociais e a
degradação das relações que afeta nossa sociedade. Uma boa inspiração vem
desta composição de fotos e texto retirada de uma página no Facebook:
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Como
dizem uma imagem vale mais do que mil palavras, ou seria melhor dizer será
que preciso desenhar para você entender??
Bem
ai está um bom exemplo de imagem que permite ter uma ideia onde estão as
raízes da situação social que vivemos na atualidade em nossas grandes cidades.
Não
é possível responsabilizar os autores dos crimes pelos seus atos, já que de
alguma maneira somos todos responsáveis pelo lugar e modo que vivemos.
Enquanto
coletividade temos delegado nosso poder de decidir sobre o destino que
desejamos nas mãos de “representantes”, mas como todo o trabalho realizado
por outros nem sempre é tão bom quanto aquilo que esperamos.
Da mesma maneira, de alguma forma, sabemos que um bom gestor sabe que a excelência de resultados depende de planejamento, estabelecer metas, organizar tarefas e controlar o desempenho e resultados. E nós não estamos fazendo nenhum desses passos. |
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Há
muitos anos se sabe que a violência estava em ascensão, em especial entre
jovens dos 12 aos 19 anos, dado o maior número de mortes nessa faixa etária (http://www.unicef.org/brazil/pt/media_22244.htm),
portanto Victor Deppman e seu assassino são fenômenos dentro do que é
esperado que aconteça.
Mas
isso não quer dizer que devamos nos conformar e desistir de alterar essa
situação. Uma boa alternativa é o que está sendo feito com a campanha para o
estabelecimento da idade penal aos 16 anos, embora acredite que deveria ser
ainda menos, aos 12 anos como em alguns países.
Este
movimento resolverá apenas parte do problema que é evitar que crianças e
adolescentes sejam usados pela máfia do tráfico e outros marginais em seus
crimes, já que gozam de certa impunidade.
Acredito
que junto a nova normativa legal de mudança da maioridade penal, se aprovada, devam ser
implementadas políticas públicas de melhoria na qualidade de vida nas
comunidades mais pobres e nas escolas de modo geral, buscando realizar projetos integrativos de educação,
cultura e esporte, não só para crianças e adolescentes mas também suas
famílias.
A
família desempenha papel fundamental na mudança de comportamento dos jovens,
sem o exemplo dos adultos mais próximos fica difícil a escola e outras
instituições modificar comportamentos viciados.
Não
é possível que pais ajam apoiando comportamentos inadequados, culpando os
educadores pelo mau comportamento de seus filhos. Como digo, há duas facetas
da educação a primeira e a educação social realizada pela família responsável
por ensinar os comportamentos aceitos em dado grupo: cortesia, uso de
talheres, como se portar à mesa, uso do toalete, vestir-se etc – e a educação
formal realizada pela escola na qual o indivíduo irá a aprender a usar as
ferramentas desenvolvidas pelo conhecimento humano construindo sua cidadania
e a ser útil a si e a sua comunidade. Se cada instituição fizer o melhor que sabe em
sua esfera teremos muito bons resultados.
Além
disso é necessário haver campanhas governamentais visando construir uma
cultura cidadã de respeito à diversidade, aos valores humanos, cidadania e cortesia.
Um exemplo dos resultados de uma educação deste tipo tivemos quando do terremoto no Japão há dois
anos atrás, o povo japonês ensinou ao mundo como cidadãos educados em valores
tendem a se comportar, demonstrando calma, respeito, ordem e dignidade.
Mas
para alcançarmos esses objetivos é necessário haver planejamento com: objetivos, metas,
prazos e orçamentos definidos, controlados pela população para evitar desvios
de interesses. Não é possível mais ficarmos só nas promessas, temos que ver
os resultados acontecendo, aumento da qualidade de vida em comunidades
carentes, mudança do perfil educacional social e formal de nossos jovens e
consequente diminuição da criminalidade.
Para
isso devemos tomar as rédeas e fazer com que as coisas saiam do plano ideal e
se tornem realidade. Para melhor entendimento faço uso de uma outra imagem, também
retirada de uma página do Facebook:
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Este blog é para discussões, reflexões, opiniões sobre as diversas situações cotidianas: política, economia, sexualidade, costumes, viagens, prazeres e angústias.
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14.4.13
O caso Victor Deppman e a violência urbana
6.4.13
Em defesa do bom senso – resposta a Malafaia - FSP 05/04/12
Santiago Torrente Perez
Como democrata e dado ao debate de ideias, li a coluna de Silas Malafaia na Folha, para
ver o que tinha a dizer sobre o caso Feliciano e a CDHM, no primeiro
momento fiquei surpreso com sua perspicácia política quanto ao suposto desvio de
atenção do público pela mídia ao apresentar a polêmica de Marco Feliciano enquanto alguns mensaleiros do primeiro escalão se tornavam membros
da CCJC, mas por outro lado fiquei desapontado com suas argumentações
favoráveis ao atual presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, embora isso fosse o esperado já
que é evangélico.
Malafaia
se apresenta como psicólogo, portanto um homem de ciência e como tal se
espera que além da argumentação bíblica também faça uma discussão
fundamentada em fatos, estatísticas e conceitos comprovados pelo
conhecimento humano metódico e atualizado ao seu tempo, mas o que li não
foi nada disso, uma vez que ao final de seu texto procura levantar a
hipótese de que o movimento contra Feliciano possa ser chamando de
"evangelicofobia", já que os que discordam do discurso dos pastores, os
defensores dos direitos humanos sejam eles: gays, negros, índios,
abortadores, prostitutas entre outros chamam os pastores evangélicos e
seus apoiadores de homofóbicos e racistas.
Não
sei se é má fé ou ignorância mesmo, mas ai há dois pesos e duas medidas
em primeiro lugar não se pode comparar uma condição natural da espécie
humana como o impulso afetivo homossexual ou o nascimento em dada “raça”
ou etnia, com o processo cognitivo que é a escolha de crenças e valores
religiosos, que são formas de pensar que pautam o comportamento humano e
são criados, desenvolvidos, ensinados e tornados vivos pelo grupo
social a que se pertence, e, por infelicidade, a maioria das pessoas
ignoram completamente o processo histórico e social das correntes míticas que vieram a
conformar os livros sagrados, portanto estão submetidas a normas,
regras, crenças e valores reproduzidas há milênios sem a devida reflexão
e atualização, portanto não correspondem mais ao mundo contemporâneo.
Em
segundo lugar por opção política vivemos num regime democrático de
Estado de Direito, onde todos os direitos sociais devem ser respeitados,
dentre eles o direito legítimo de um casal homossexual ter sua relação
reconhecida pelo estado garantindo assim os mesmos direitos previstos
aos casais heterossexuais. Um
negro de possuir efetivamente os mesmos direitos e oportunidades que um
homem branco nas mesmas condições. Um índio ter o mesmo respeito aos seus ritos e estética como qualquer outra cultura.
Quanto ao aborto, embora tenha
minhas restrições, acho plausível sua descriminalização, uma vez que
querendo ou não continuarão a acontecer, é melhor que ocorram com a
devida assistência médica do que da maneira como estão sendo feitos
agora, causando milhares de mortes de mulheres ou sua infertilidade.
Sugiro
a Malafaia e aos demais lideres evangélicos que pelas suas declarações e argumentações sem fundamentação coerente relacionadas às realidades da diversidade cultural humana e situações sociais da atualidade, voltem aos bancos
escolares, estudem mais antropologia, mitologia, história, filosofia e não só teologia, fazendo o
exercício da confrontação de suas crenças, valores e ações à realidade
contemporânea, quem sabe assim, entendam o que são direitos humanos e enfim parem de propagar sua ignorância à quem é ainda mais ignorante fazendo a estes incautos reproduzirem seu preconceito e falta de Amor, contrariando inclusive o que pregam.
Irônico isso, mas é o que acontece com quem não reflete acerca do que faz...
Irônico isso, mas é o que acontece com quem não reflete acerca do que faz...
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