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2.10.14

Porque não votar no PT e sua coligação.



Faz tempo tenho postado nas redes sociais minha posição acerca das eleições majoritárias deste ano, mas não tenho dado muitas explicações apenas indicado alguns dos motivos, então resolvi escrever algumas das minhas observações e análises acerca dos governos do PT e sua coligação nos últimos anos.
Antes que me venham chamar de alienado e subordinado a “interesses das elites” e sua mídia, não vou tocar no assunto corrupção que é o que mais tem sido usado para bombardear esse partido pseudo-socialista.
Por que o chamo pseudo-socialista? Simples porque ele não é socialista ou qualquer coisa que se aproxime disso.
Me desculpem os que caem na conversa da propaganda governamental, mas para mim as práticas e resultados das políticas implementadas nestes 12 anos de governo demonstram que não houve melhora efetiva e significativa na condição de vida da população mais carente no Brasil.
Alguns poderão perguntar como assim??? E o programa “Bolsa Família” que ajuda a população na base da pirâmide de renda, não ajuda a mudar a condição de vida da população? Não seria louco ao afirmar que não ajuda, mas não é suficiente se se quer mudar de forma efetiva e radical a vida dessa população.
Como seria isso, você pode perguntar. Ao que responderia, você leu acerca do estudo realizado com os dados do Imposto de Renda, IBGE e PNAD sobre a distribuição de renda nos últimos anos no Brasil: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/09/1520602-concentracao-de-renda-no-brasil-pode-estar-subavaliada-diz-estudo.shtml. Pois bem esse estudo demonstra algo que eu já havia percebido, mas por falta de tempo não pude me aprofundar na pesquisa, que o tão propagandeado aumento da classe média simplesmente é uma mentira.  
Faz tempo argumento em minhas aulas quando discuto a desigualdade, em especial no Brasil, falando que os declarantes de Imposto de Renda, não tiveram aumento significativo nesses anos, o que para mim já indicava que algo havia de errado na propaganda do governo, afinal até prova em contrário classe média necessita progressivamente menos das ajudas públicas, bancando suas necessidades com seus próprios recursos, exceto os serviços essenciais de saúde e educação se forem de boa qualidade em seu entorno.
Bem durante esses 12 anos de governo pseudo-socialista do PT não houve nenhuma política pública, projeto ou proposta de alteração radical da condição de distribuição de renda no Brasil. Então vejamos o que um partido socialista real poderia ter feito ao longo desse tempo para que as coisas pudessem estar efetivamente melhores para as classes mais pobres.
Primeiro lamentavelmente os governos do PT e coligados pautaram suas políticas em favor de determinados grupos empresariais e financeiros em detrimento da população de modo geral. Se houvesse realmente se estabelecido como prioridade a melhora na qualidade de vida das classes mais pobres as políticas seriam outras.
Qualquer pessoa minimamente letrada e consciente sabe ou deveria saber que a redistribuição efetiva de riqueza se dá por diversos meios, não só através de programas tipo “Bolsa Família”.
Desde o primeiro governo e mais ainda no de Dilma Rousseff, já que sua coligação é majoritária no Congresso, o governo deveria ter buscado uma forma de estabelecer uma reforma fiscal na qual o cidadão pobre pagasse menos imposto do que um cidadão rico. (Não me venha com a desculpa que "Política é a arte do possível", poupe minha inteligência, com maioria no Congresso o possível não é difícil de se alcançar desde que se tenha vontade para isso!!!) Num exemplo simples, um trabalhador que ganha um salário mínimo de R$ 724,00 paga mais imposto proporcionalmente a quem ganha R$ 198.000,00 (valor atribuído ao maior salário segundo o estudo citado acima). Tendo como base o valor da cesta básica em São Paulo de R$ 337,80, segundo a pesquisa do DIEESE e, supondo que ambos a consumam, o primeiro quase gasta metade de seu salário enquanto o segundo mal sentira o gasto. Quando se leva em conta o valor dos impostos embutidos nos itens, em média 30% da nota,  a revolta aumenta já que o “cidadão salário mínimo” além de ganhar pouco tem tungado na boca do caixa 1/3 do valor pago para a manutenção de sua vida em impostos, o outro ainda pode se dar ao luxo de comer em restaurantes, usar perfumes importados etc que embora tenham tributação elevada mal lhe perturbam o sono!!!!!
Em países minimamente bem administrados, como é o caso da maioria dos europeus, asiáticos e América do Norte, há décadas houve a preocupação de haver uma melhor distribuição da carga tributária, a tornando mais equilibrada. Quem já teve a oportunidade de passear ou viver em algum desses países há de ter notado o quanto os itens de primeira necessidade, como alimentos, limpeza doméstica e higiene pessoal tem um valor relativamente mais baixo do que é pago no Brasil, indicando que há pouca tributação nesses itens. A tributação maior recai sobre outros artigos em especial: bebidas alcoólicas, tabaco, alguns itens de vestuário, empresas  etc.
Para manter a ilusão de riqueza o governo implementou políticas para aumento do crédito. Para isso fez uma redução drástica dos juros cobrados sobre determinados financiamentos e incentivando a compra de itens variados desde móveis, eletrônicos, automóveis e imóveis. Houve um festival de compras com financiamentos a perder de vista a juros supostamente baixos. Longe disso, o Brasil é o recordista no valor dos juros cobrados em financiamentos, os bancos agradecem.
Como se não bastasse, para sustentar a máquina de ilusão de felicidade funcionando e outros projetos, nem sempre com propostas e objetivos claros,  o governo necessita lançar mão de colocar títulos no mercado para financiar suas despesas, as tais OTN, LTN, títulos do Tesouro Nacional. Adivinhem o que acontece. Como se pode ver no quadro abaixo a maior parcela do valor arrecadado através de impostos, a média de 30% de qualquer compra entram aqui, vai direto para os investidores que compraram os títulos do governo, bancos, empresários e investidores das classes mais altas!!!!!!! Veja quadro abaixo:

http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2014/08/orcamento2014.jpg
 Fonte: http://www.amalgama.blog.br/wp-content/uploads/2014/08/orcamento2014.jpg

Deu para perceber porque ainda estamos como estamos?!?!?! Durante esses doze anos o governo pseudo-socialista que está no Planalto, não fez outra coisa se não favorecer quem o ajudou se a colocar lá, empresários e banqueiros. Espero esteja entendendo até aqui. Se não percebeu ainda explico,  o sistema financeiro é o que mais ganha, pois além de receber juros da dívida ainda recebe os juros dos financiamentos que fez à tal “nova classe média” e demais tomadores. O que mais revolta é saber que quanto maior a renda menos se paga de juros, tendendo a ir para a outra ponta, ou seja poupa dinheiro aplicando-o onde se recebe renda. Pessoas com rendimentos próximos ao salário mínimo, dificilmente conseguem ter uma poupança, já que seus rendimentos irão para cobrir suas despesas de manutenção de vida e agora também com os financiamentos tomados para satisfazer a ilusão de seu consumismo. Então quem está mesmo ganhando com o governo do PT e sua coligação???? Sinceramente no que sua vida melhorou???
Como se isso não bastasse tenho que tocar em outro fator que pode melhorar sobremaneira a distribuição de renda e riqueza que é a educação. Infelizmente este fator também foi deixado meio de lado nos  governos petistas. Há décadas também se sabe que cada ano a mais na escolarização da população de um país há impacto direto no PIB e na distribuição de renda, uma vez que a maior escolarização tende a proporcionar maiores salários.
Depois de 12 anos de governo os indicadores da qualidade da educação brasileira, em especial a do ensino fundamental e médio,  continuam patinando, quem quiser se aprofundar sugiro pesquisar os resultados das provas do SINAES, ENEM e PISA, este último ranking internacional calculado sobre os resultados das provas aplicadas à população estudantil de ensino fundamental dos países membros da OCDE no qual o Brasil aparece entre os últimos colocados desde os governos de FHC.
Sou educador há 14 anos portanto passei todo o período de governo petista em sala de aula de universidades privadas, o que se vê é que a população estudantil que vem realizar seu curso superior nessas instituições em sua maioria é oriunda da chamada “nova classe média”, estudante de escolas públicas e que infelizmente chega ao ensino superior mal sabendo ler e escrever, há falhas em sua formação de base que por mais que se tente não são sanadas definitivamente até o final do curso de graduação. Cabe também dizer que em função dessas falhas de formação há repercussão na produtividade que terão como profissionais, com a palavra o pessoal de recrutamento e seleção, que cada vez mais tem dificuldade em preencher as vagas de emprego, que cada vez mais exigem qualificação.
Embora as estatísticas mostrem que estamos numa economia de quase pleno emprego, cabe dizer que essa força de trabalho está alocada em funções de pouca qualificação majoritariamente em serviços, mas a partir do momento que houver maior abertura econômica pela nossa necessidade de crescimento, as empresas terão que modernizar sua produção com a introdução de maquinarias e equipamentos mais sofisticados, para fazer frente à concorrência internacional,  levando milhares de pessoas ao desemprego pela falta de qualificação. Os boias frias que o digam, substituídos por tratores no campo. Diga-se de passagem que o setor agrícola foi o único que teve aumento de produtividade nesse período de 12 anos.
O governo tem sido hábil em manter a situação mascarada até agora mas as coisas não se sustentarão assim no longo prazo. Sem a devida melhora na distribuição dos ônus e bônus no sistema tributário, melhor educação e políticas para o desenvolvimento efetivas e integradas à economia internacional não há como criar uma sociedade mais justa e equilibrada.

POR ESSAS E POR OUTRAS NÃO VOTO NO PT E SUA COLIGAÇÃO.  ESSAS PESSOAS NÃO REPRESENTAM MEUS IDEIAIS DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA.


25.8.14

O PT não fez seu trabalho em 12 anos, vai continuar com ele???

Enquanto isso a enganação do bolsa família, crédito fácil para minha casa minha vida, minha casa melhor, carro etc, rolando solta. Não se sabe até quando a festa do crédito continua, o desemprego já está aumentando, os bancos restringindo novos créditos e provavelmente a inadimplência também está em aumento. O que fazer quando boa parte dos 60 milhões, quase um terço de nossa população, que fazem para da folha de pagamento do governo, começarem a ficar sem seus benefícios, o que poderá acontecer?!?!?!? Todos agora comem, tem casa e alguns até um carro, quem garantirá que conseguirão manter e melhorar sua situação no longo prazo??
Em 12 anos de governo quais alternativas foram viabilizadas para essa população conseguir se manter sem a necessidade de auxílio governamental?!?!?!?
A maioria dos estudantes que chegam às universidades privadas na cidade de São Paulo, mal sabem interpretar um texto e escrever corretamente o português, o que se pode esperar destes cidadãos?? Sem qualificação não há como manter a empregabilidade, o que farão os milhões que tem uma educação de baixa qualidade em seu futuro, concorrendo com os estrangeiros que já estão chegando, como por exemplo um engenheiro de um país africano que fala 5 idiomas e tem pós graduação????
Propaganda de resultados ilusórios, foram 12 anos em que algumas prioridades simplesmente foram negligenciadas por esse partido pseudo-esquerda, o $$ é escasso e investí-lo adequadamente necessita de planejamento, projetos, com metas, objetivos, cronograma e financiamento claros. Nada foi feito para o que é fundamental no desenvolvimento de uma nação. Quem não enxerga isso, está seduzido pela propaganda ideológica, está mal informado ou age de má fé.

17.8.14

O Brasil pode ter jeito



Há muito tempo venho fazendo campanha em sala de aula e fora dela, nos espaços onde posso fazer algo efetivo a partir de minha atuação cidadã, e feito críticas ao atual governo federal. Em 12 anos no poder o PT deixa muito a desejar. Embora tenha havido alguns avanços, estes ainda são simplesmente ridículos em relação ao potencial que apresenta o país e seu povo. Falta direção, planejamento e principalmente humildade aos atuais dirigentes do país.

O Brasil necessita no momento de políticos que estejam REALMENTE empenhados em torná-lo um país digno para todos. Infelizmente não é o que se apresenta no momento no espectro político atual. Um fio de esperança de algo diferente se foi num trágico acidente aéreo na última quarta-feira. Embora não houvesse me decidido pelo candidato Eduardo Campos, ele tinha grandes chances de ganhar meu voto, já que por consciência pessoal o PT e sua coligação não são opção de voto para nenhum cargo eletivo.

Me parece que é chegado o momento que nosso povo sofrido, carente de respeito e dignidade, seja capaz de mostrar como quer ser governado. Não mais na ilusão de uma melhora que nunca chega, mas na busca de projetos claros e objetivos, com foco, programa de execução, origem e destino de recursos e acima de tudo transparência. Acredito que estamos cansados do "rouba mas faz", se bem que nos últimos anos houve mais roubo do que feitos.

Está mais do que na hora de deixar a sedução dos palavrórios ideológicos de esquerda de lado, como se fossem o BEM e a única via de construção de uma sociedade justa e harmoniosa. Há diversos exemplos dessa falácia. Não quero que meu país vire uma República das Bananas, onde uma elite partidária se refestela às custas do trabalho árduo e exploração da maioria. Podem me chamar de “coxinha”, fodam-se, prefiro viver em uma sociedade onde o debate e o consenso sejam construídos livremente. Tenho a plena consciência que isso é uma utopia, pelo menos no momento presente de nossa história, mas agora não vejo outra alternativa que não seja o diálogo entre os diferentes grupos de interesse de nossa sociedade para que conversem e busquem soluções colegiadas para que o Estado deixe de servir à corrupção e alguns grupos e a se torne efetivamente no palco da constituição de propostas equilibradas e pragmáticas e menos ideologicamente orientadas.

Quero projetos de curto, médio, longo prazos, sendo propostos e realizados, como dito antes, com foco, cronograma e recursos definidos para melhoras concretas na saúde, educação, infraestrutura, transporte e visando a construção de uma sociedade justa e fraterna. Algo que até agora não vi em nada do que foi proposto por nenhum dos candidatos à Presidência.

Eu não sigo ideologias. Observo, vejo, analiso resultados. Até agora, desse ponto de vista, não vi nenhum avanço substancial nas estatísticas e dados do governo que mostrem que nossa sociedade caminha para se assemelhar a um país plenamente desenvolvido, onde seu povo viva feliz e sem conflitos. Quando me mostrarem algo que me convença e possa mudar de ideia o farei, sou inteligente o suficiente para isso, no momento lamento sou firme em minha posição FORA PT.

12.7.14

Uma compra de supermercado e relações éticas

Como costumo fazer quando me falta algo em casa e não fez parte da compra do mês, vou ao supermercado próximo de casa. Há algumas semanas fui lá para comprar um pacote de lentilhas, até ai nada demais, mas a situação que vivi e me chamou a atenção foi o comportamento da moça que estava no caixa. Haviam dois clientes à minha frente um senhor com poucas compras que parecia ser o tipo de pessoa com poucos recursos e portanto estava com seu dinheiro contado, e uma outra senhora, bem articulada e segundo pude perceber uma profissional na área cultural. O senhor à nossa frente ao ser atendido foi avisado que não havia sacolas gratuitas e que teria que pagar por uma “ecológica”, pagou o valor e saiu contrariado, obviamente. A senhora que estava à minha frente e eu alertamos a moça do caixa que isso estava errado pois como previsto no “Código de Defesa do Consumidor”, onde diz que na ausência de sacolas gratuitas o consumidor tem o direito de levar suas compras em sacolas alternativas gratuitamente. Foi quando soubemos que a moça do caixa havia meio que forçado o primeiro cliente a levar a sacola paga pois estava participando de uma gincana do supermercado onde o caixa que mais vendesse as sacolas ecológicas teria três dias de folga e uma cesta básica.
Não preciso dizer que não recebi sacola alguma para levar o pacote de lentilhas, rsrsrs
Mas esta situação me fez questionar o que se anda ensinando, palestrando e dando como exemplo de comportamento social aceitável por ai.
Que ética é essa que não leva em conta a situação econômica de um cidadão, que visivelmente não tinha condições de gastar além do que tinha previsto, ignorante de seus direitos, em favor de interesses pessoais e mesquinhos? Vamos combinar três dias de folga e uma cesta básica não é lá um grande prêmio, rsrs, a não ser que para o orçamento da caixa da história a cesta básica seja algo nada desprezível. Ou será que ia dar algum destino valorizado como louvável, uma doação para alguma instituição por exemplo?
Os valores morais andam tão distorcidos por aqui,  que acredito firmemente no que ando dizendo em minhas postagens no Facebook, estamos necessitando de um choque do tipo “Tolerância Zero”, fazendo com que o menor ato ilícito, imoral, crime seja punido exemplarmente. No caso relatado no mínimo a caixa deveria ser retirada da disputa no mês corrente por falta de ética, uma vez que mesmo tendo ciência da norma do CDC se deixou levar por seus interesses pessoais, inclusive sendo desleal com os demais colegas que estavam agindo de acordo com a regra da gratuidade.  
Como todo mundo sabe, alcançar nossos objetivos depende de esforço, empenho e ética, usar do “jeitinho brasileiro” já deveria ter deixado de ser aceitável faz tempo, ainda mais num mundo que se globaliza e certos comportamentos julgados normais por aqui são extremamente mal vistos por nossos colaboradores internacionais.  Era bom começarmos a fazer as coisas pensando mais amplamente, levando em conta a situação pessoal de cada um dos envolvidos, que interesses deverão ser atendidos e quais as vantagens e desvantagens para ambos lados estão em jogo. Deixando as relações transparentes, permitindo que cada um faça suas escolhas livremente.
Será que vai demorar muito para nos darmos conta disso, espero sinceramente que não.

19.6.14

Algumas Ideias que precisam ser contestadas





Tempos de Copa do Mundo no Brasil e eu não estou nem ai com isso. Mas estou fazendo minhas reflexões como de costume e como estou quase de férias tenho mais tempo de coloca-las no blog.
Vivo num país que apesar dos avanços ainda é um dos que pior distribui renda no planeta. O grande evento voltado ao esporte que é uma religião por estas paragens tem mostrado em detalhes essa distinção entre ricos e pobres. Basta ver que provavelmente nenhum dos operários que  construíram os estádios puderam ir assistir a um jogo com recursos próprios.
O que me fez pensar no que disse Marx em seus escritos, essa desigualdade é oriunda da distinção básica entre quem tem a propriedade ou não dos meios de geração de renda e riqueza. Essa noção de direito de posse sobre algo é uma construção social e foi constituída há milhares de anos e reproduzida como sendo algo justo e correto desde então.
Acredito que chegamos num momento histórico planetário onde podemos questionar mais profundamente tal ideia, já que tudo que conforma o que vivemos enquanto indivíduos e sociedade é oriundo de ideias, que podem e devem ser questionadas sempre em busca do melhor que pode ser feito para a realização plena da experiência humana, não só para alguns mas para todos.
Diferente de Marx, Pierre Clastres acredita que a origem do direito a apropriação do que produz riqueza e de seu excedente por alguns em relação à maioria tem sua origem, não nas relações  de produção como Marx, mas na ideia do poder do Um, que por incrível que pareça não é derivado do poder político do “Chefe, Cacique, Líder”, mas do poder da palavra dos Profetas, os que, através de um suposto contato especial com a divindade, prometem levar o povo à “terra da bem aventurança e felicidade”. Me parece que esta suposição ser a mais correta, pois se analisamos historicamente todas as figuras a quem se atribuiu algum poder como: Imperadores, Rei, Faraós, ou coisa que o valha, estes sempre tiveram sua imagem associada a algo sagrado ou sacrossanto, os fazendo alcançar uma categoria acima dos meros mortais.  
Hoje podemos, devemos e temos que transformar essa ideia de uma vez por todas e acabar com o poder do UM. Em primeiro lugar retirando a aura de divindade de qualquer pessoa em posição de destaque em nossa sociedade, isso significa não idolatrar quem quer que seja: celebridades, artistas, grandes empresários, desportistas, jogadores de futebol, políticos e, em especial, agentes de qualquer denominação religiosa. Enfim qualquer um, pois como costumo dizer TODOS saíram de um buraco e certamente irão para outro. Como bem exemplifica Clastres em seu texto “Sociedade Contra o Estado”, ao falar do poder do líder afirma que ao terminar a tarefa de liderar seu povo nas batalhas, o chefe voltava para sua vida cotidiana como os demais. NÃO HÁ DIFERENÇAS.
Em seguida devemos desenvolver a noção de unidade, não só com os que estão mais próximos, mas com TUDO que nos rodeia. Estamos iludidos com a ideia de separação. Tive oportunidade de ter essa percepção numa dança circular indígena, um insight inesquecível de unidade com todos da minha espécie e com o cosmo. Maravilhosa experiência.
Para tanto devemos acabar com a IDEIA de Deus como uma força externa, superior e autônoma, uma vez que está totalmente equivocada. Afinal como está escrito em todos os livros sagrados somos dotados de LIVRE ARBÍTRIO, e é demasiado incoerente termos que seguir determinados preceitos que vão de encontro à liberdade que em realidade simplesmente já é nossa desde nascença, porque somos seres da natureza e somente a ela devemos respeito e com o maior entendimento de suas leis torna possível ter uma melhor convivência com tudo do que fazemos parte.
E por fim como faziam nossos ancestrais que trabalhavam em comunidade e contribuíam coletivamente para o bem de todos sem exceção. O excedente simplesmente era descartado, algo que em nossa sociedade não é tolerado e nem deve sê-lo. Mas está na hora de que cada ser humano vivo e ainda por vir neste planeta tenha assegurado por todos sua dignidade humana, uma moradia, alimentação, adequada e assistência médica integral e vitalícia. Sei que para isso muitas outras ideias deverão ser trabalhadas e modificadas, mas parece que estamos a caminho.
Vamos as manifestações, fazer a grande revolução. Um salto quântico em direção à Nova Humanidade. Será que estamos preparados para viver de forma mais harmônica com a natureza e entre nós?.

Vamos ver.