Tempos de Copa do Mundo no Brasil e eu não estou nem ai com
isso. Mas estou fazendo minhas reflexões como de costume e como estou quase de
férias tenho mais tempo de coloca-las no blog.
Vivo num país que apesar dos avanços ainda é um dos que pior
distribui renda no planeta. O grande evento voltado ao esporte que é uma
religião por estas paragens tem mostrado em detalhes essa distinção entre ricos
e pobres. Basta ver que provavelmente nenhum dos operários que construíram os estádios puderam ir assistir a
um jogo com recursos próprios.
O que me fez pensar no que disse Marx em seus escritos,
essa desigualdade é oriunda da distinção básica entre quem tem a propriedade ou
não dos meios de geração de renda e riqueza. Essa noção de direito de posse sobre algo é uma construção social e foi constituída há milhares de anos e
reproduzida como sendo algo justo e correto desde então.
Acredito que chegamos num momento histórico planetário onde
podemos questionar mais profundamente tal ideia, já que tudo que conforma o que
vivemos enquanto indivíduos e sociedade é oriundo de ideias, que podem e devem
ser questionadas sempre em busca do melhor que pode ser feito para a realização
plena da experiência humana, não só para alguns mas para todos.
Diferente de Marx, Pierre Clastres acredita que a origem do
direito a apropriação do que produz riqueza e de seu excedente por alguns em relação à maioria tem sua
origem, não nas relações de produção
como Marx, mas na ideia do poder do Um, que por incrível que pareça não é derivado
do poder político do “Chefe, Cacique, Líder”, mas do poder da palavra dos
Profetas, os que, através de um suposto contato especial com a divindade, prometem
levar o povo à “terra da bem aventurança e felicidade”. Me parece que esta suposição ser a mais correta,
pois se analisamos historicamente todas as figuras a quem se atribuiu algum poder como:
Imperadores, Rei, Faraós, ou coisa que o valha, estes sempre tiveram sua imagem
associada a algo sagrado ou sacrossanto, os fazendo alcançar uma categoria acima dos
meros mortais.
Hoje podemos, devemos e temos que transformar essa ideia de
uma vez por todas e acabar com o poder do UM. Em primeiro lugar retirando a
aura de divindade de qualquer pessoa em posição de destaque em nossa sociedade,
isso significa não idolatrar quem quer que seja: celebridades, artistas, grandes
empresários, desportistas, jogadores de futebol, políticos e, em especial,
agentes de qualquer denominação religiosa. Enfim qualquer um, pois como costumo
dizer TODOS saíram de um buraco e certamente irão para outro. Como bem
exemplifica Clastres em seu texto “Sociedade Contra o Estado”, ao falar do
poder do líder afirma que ao terminar a tarefa de liderar seu povo nas batalhas,
o chefe voltava para sua vida cotidiana como os demais. NÃO HÁ DIFERENÇAS.
Em seguida devemos desenvolver a noção de unidade, não só com
os que estão mais próximos, mas com TUDO que nos rodeia. Estamos iludidos com a
ideia de separação. Tive oportunidade de ter essa percepção numa dança circular
indígena, um insight inesquecível de unidade com todos da minha espécie e com o
cosmo. Maravilhosa experiência.
Para tanto devemos acabar com a IDEIA de Deus como uma força
externa, superior e autônoma, uma vez que está totalmente equivocada. Afinal
como está escrito em todos os livros sagrados somos dotados de LIVRE ARBÍTRIO,
e é demasiado incoerente termos que seguir determinados preceitos que vão de
encontro à liberdade que em realidade simplesmente já é nossa desde nascença, porque somos seres da
natureza e somente a ela devemos respeito e com o maior entendimento de suas leis torna
possível ter uma melhor convivência com tudo do que fazemos parte.
E por fim como faziam nossos ancestrais que trabalhavam em
comunidade e contribuíam coletivamente para o bem de todos sem exceção. O
excedente simplesmente era descartado, algo que em nossa sociedade não é
tolerado e nem deve sê-lo. Mas está na hora de que cada ser humano vivo e ainda
por vir neste planeta tenha assegurado por todos sua dignidade humana, uma
moradia, alimentação, adequada e assistência médica integral e vitalícia. Sei
que para isso muitas outras ideias deverão ser trabalhadas e modificadas, mas
parece que estamos a caminho.
Vamos as manifestações, fazer a grande revolução. Um salto
quântico em direção à Nova Humanidade. Será que estamos preparados para viver
de forma mais harmônica com a natureza e entre nós?.
Vamos ver.
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