Até
que enfim o Brasil acordou de seu sono. Os jovens da geração pós abertura, sem
o medo de seus pais da repressão, está invadindo as ruas do país e assumindo
uma postura cidadã, nunca antes vista neste país com tanto vigor, contra os
desmandos da gestão irresponsável do dinheiro público.
Sou
completamente favorável às manifestações e suas reivindicações, já fui a duas e
gostei muito de participar e do que vi,
me relembrou alguns momentos da juventude como as passeatas pelas diretas-já.
Mas
apesar de todas as reivindicações serem legitimas e justas é necessário que os
lideres dos movimentos se reúnam para organizar e estabelecer uma pauta clara
do que querem ver como resultado do seus movimentos e pleitos, pois como as
coisas estão andando logo perderão força e deixarão desperdiçar este momento
histórico. Até o momento a única solicitação comtemplada foi a manutenção do
valor das passagens de ônibus, justamente o estopim deste momento de crise
institucional que passamos.
Agora
falta aos movimentos estabelecer focos específicos, problemas e situações que
querem ver resolvidos de imediato, a médio e longo prazo e se possível apontar
quais as soluções que desejariam fossem tomadas pelo poder público.
Até
o momento as manifestações estão se limitando a mostrar as mazelas com a coisa
pública que vem se acumulando de governo em governo na saúde, educação,
transporte, segurança e outros sem a devida atenção dos Executivos e
Legislativos de todos os níveis.
São tantos
os problemas que se acumulam e parecem não ter solução há anos que está mais do
que na hora de se começar a por a mão na massa e buscar resolvê-los de alguma
maneira.
Embora
o discurso até agora apele para o apartidarismo é bom que se tenha em mente que
tal proposta é inviável no momento, uma vez que o processo democrático está
baseado na formação de partidos políticas para a discussão de leis que regem a
vida pública. Como parece que não é isso que se quer, ou seja romper com o
Estado de Direito, o que seria um golpe, mas sim fazer com que o governo e seus
prepostos façam o trabalho que lhes foi destinado com probidade, honestidade e
qualidade, uma saída para a moralização da coisa pública é a abertura do
dialogo e ampliação da participação cidadã em todos os níveis e setores dos
serviços públicos, entre o governo e os partidos que o compõem e sua oposição e a sociedade civil
representada pelos: sindicatos patronais e funcionais, conselhos profissionais federais e regionais,
OAB, ONGs e demais parceiros que podem sugerir mudanças nas políticas públicas como
também fiscalizar o uso do dinheiro público, visando que haja o menor desvio
possível de recursos para fins não públicos.
Nesta
discussão ampla deveriam ser discutidas as reformas que tem sido adiadas mas são necessárias para estabelecer uma ordem
efetivamente democrática na gestão da coisa pública.
Algumas
sugestões:
-
Reforma Política: voto facultativo, impedimento
de voto secreto no legislativo, voto distrital, parlamentarismo, equiparação dos
custos de nossos parlamentares a países com economia e população equivalentes
às do Brasil. Transparência total do uso dos recursos públicos, comparativos
dos custos de obras, insumos e mão de obra com serviços semelhantes em outros
países e/ou regiões.
-
Reforma Tributária: redução de tributos, isonomia
tributária - paga mais quem ganha mais, isenção de impostos em artigos de
primeira necessidade e voltados a educação e cultura.
-
Reforma educativa – Valorização do profissional
de educação, aumento salarial, incentivo maior a formação de professores,
aumentos, bônus e ascensão funcional por titulação e resultados objetivos de
qualidade de ensino.
-
Reforma Urbana: Ampliação dos serviços de
transporte público, desincentivo do uso de automóveis, criação de bairros e
zonas de desenvolvimento econômico nas periferias evitando deslocamentos longos
do trabalhador.
-
Mudança no Pacto Federativo – mudança nas
atribuições dos níveis de governo e consequente distribuição dos recursos. Os
municípios devem ser incentivados a desenvolver sua economia e geração de
recursos.
Acredito que iniciar com o
estabelecimento do diálogo entre as partes para se definir uma agenda de
discussão dos pontos que requerem mais urgência e tem prioridade de acordo com
o ponto de vista e as necessidades da população que agora se manifesta mostrando sua indignação e busca respeito e dignidade.
Estamos
de parabéns. Sigamos em frente.

