Santiago Torrente Perez
Enfim
os condenados do mensalão do PT foram levados à prisão. Talvez isso sirva como
marco simbólico de que algo está mudando no Brasil e o Estado de Direito esteja
sendo efetivamente posto em prática.
Acho
que é mais do que hora que se mude a maneira de fazer política por aqui, que
desde a primeira República é a de garantir que as elites e seus representantes
mantenham privilégios e os tornem cada vez maiores.
A
política desenvolvida aqui com a instauração da República foi a de troca de
favores o famoso “toma lá dá cá”, que está baseado em interesses imediatistas,
de pessoas ou de grupos políticos e econômicos, que não tem a menor noção de
planejamento de curto, médio e longo prazos para construir o desenvolvimento da
nação. Seu principal interesse é retirar recursos do Estado para seu
enriquecimento ou criação de fundo partidária. Vejam a história das grandes construtoras
nacionais e seu vínculo com o Estado.
Esta
forma de negociação política está tão arraigada na cultura que parece que é
legitimo se apropriar da coisa pública para benefício próprio ou partidário,
talvez seja por isso que José Dirceu e outros se afirmam inocentes afinal podem
estar pensando: “Ué mas não foi sempre feito assim, o que fizemos de errado,
agimos de acordo com as regras de negociação estabelecidas”. Acredito que
apenas esqueceram de se atualizar e ver que as coisas no Brasil e no mundo não
são mais as mesmas e a ética, honestidade e transparência são valores buscados
pelos cidadãos-eleitores.
Não
me interessa se alguns crêem que o julgamento não foi justo, se houve influência da mídia nas
sentenças dos juízes, o que me parece importante é que de algum modo o Estado
de Direito está sendo garantido, embora ainda falte muito para que seja
majoritariamente incorporado por nossos representantes, que antes de seus
interesses devem se preocupar em cumprir o seu dever cívico de exercer o poder
para o qual foram eleitos de acordo com normas éticas, transparentes e que
visem o bem geral da população a curto, médio e longo prazo.
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